O futebol do baixo clero



Por Genaldo de Melo
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A verdade como coisa em si, muitas das vezes tentam escondê-la para que ninguém possa enxergá-la, e mudar de assunto, e até mesmo de opinião em relação às premissas da mesma. A verdade é assim, quando ela pode incomodar alguns que estão errados em seus procedimentos, da mesma forma que a sujeira, joga-se ela para debaixo do tapete para que ninguém possa enxergá-la. Mas a verdade é como o sol quando as nuvens querem escondê-lo e não conseguem, porque naturalmente elas se dissipam nos próprios ares e o libertam.

Em relação ao futebol baiano ninguém quer ter a responsabilidade de dizer a verdade, que o mesmo representa a mais baixa mediocridade que existe em relação ao mesmo futebol realizado em outros Estados, principalmente do Sudeste e Sul do país. Não deixando também de dizer que nos chamados espaços iluminados do futebol abraçados pelas “globelezas” da vida, ele também representa a pior das mediocridades em relação ao futebol “profissional” realizado em outros cantos do planeta, principalmente na Europa.

Enquanto clubes de futebol com a responsabilidade de apresentar verdadeiros espetáculos, pois é exatamente isso que o futebol representa para à alegria do povo, estão preocupados em melhorar seus elencos pautado em organização e planejamento estratégico com vistas aos resultados positivos, na Bahia tudo é totalmente diferente. O futebol aqui serve apenas para iludir e permanentemente apenas brigar para ficar na Primeira Divisão do futebol nacional, o que no último ano não foi conseguido pelos clubes de nossa terra.

Quatro fatores aqui na Bahia chamam a atenção para que denominemos o futebol daqui como medíocre e de baixo clero. O primeiro deles está presente na gestão dos clubes e da Federação que representa o esporte. O segundo está na forma como é composto os elencos dos clubes. O terceiro é o que os meios de comunicação e seus chamados comentaristas fazem do nosso melhor e mais popular esporte. E finamente, parece que para os iluminados do futebol baiano somente existe bom futebol na capital, Salvador.

Sem sombra de dúvidas temos no futebol baiano um dos piores índices de gestão. Quando não estão utilizando o simbolismo e a paixão que os baianos têm pelos seus clubes para se elegerem parlamentares de baixo clero, utilizam os clubes de futebol como trampolim de seus interesses econômicos propriamente ditos. Além disso, os gestores tanto dos clubes como da sombria Federação Baiana de Futebol sempre são os mesmos, que se apropriam das estruturas eternamente como se fossem extensão de suas casas. Não conseguem comprovadamente fazer de nosso futebol o que o Estado da Bahia representa para o Brasil. Incrível como as estruturas que gerem o futebol em nosso Estado parecem com determinados partidos políticos!

Interessante também é como o mercado do futebol funciona na Bahia. Quando um jogador começa a desempenhar papel de ídolo com resultados positivos para os clubes que representa, bem como atender aos anseios das paixões dos torcedores, simplesmente dirigentes e empresários o retiram de forma instantânea de nosso futebol. Em contrapartida, quando um jogador que já foi ídolo de outros clubes de renomes está em fim de carreira, os mesmos gestores e empresários trazem ele para a Bahia para ganhar seu rico dinheirinho e apresentar a mediocridade da despedida dos campos de futebol. É incrível como eles acham que os torcedores são idiotas! Por isso que ano após ano o futebol em nosso Estado míngua aos olhos vistos.

Mais ridículo ainda em nosso futebol são os comentaristas esportivos da única rede de televisão aberta que tem direito de concessão de transmissão dos jogos. Antes de sairmos para trabalhar de manhã temos a tristeza de assistir e ouvir os mais medíocres comentários daqueles dois rapazes, que não quero nem falar o nome para não valorizá-los, pois não merecem. Parece que os mesmos falam sempre de uma realidade de nosso futebol que não existe! Se os times perdem, perderam porque jogaram bem, se os times ganham, ganharam também porque jogaram bem! Para eles nunca existe problemas em nosso futebol, e pronto! Fica sempre a impressão que são funcionários dos clubes de Salvador.

Mais grave ainda no futebol de nosso estado é a verdadeira falta de respeito com os clubes do interior do Estado. Fica sempre claro que todo o processo construído sempre beneficiará os dois clubes da capital. Enquanto o futebol de Feira de Santana agoniza, mas continua vivo, enquanto o futebol de Vitória da Conquista e de Juazeiro cada vez mais demonstra que tem capacidade de rivalizar com os dois clubes da Capital, enquanto mais clubes de cidades pequenas estão protagonizando a nossa esperança de dias melhores, ficam dirigentes e cronistas esportivos apenas preocupados e colocando as forças produtivas do esporte nos dois clubes de Salvador.

Mas se os problemas fossem somente esses até poderíamos acender uma vela para a esperança de um futuro melhor para o futebol baiano. Mas como não são apenas esses os problemas podem se preparar (dirigentes e torcedores), pois podem acontecer surpresas desagradáveis ainda esse ano em nosso mais querido esporte. Pois se temos apenas dois clubes na Segunda Divisão, coordenada pela aquela CBF medíocre, a luz do fim do túnel está bem ali na terceira Divisão. Porque não tenho certeza de que desse modo algum clube baiano vai ascender à elite do futebol no Brasil.

É mediocridade demais, meus amigos!

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