Não existe perigo vermelho no Brasil


Por Genaldo de Melo
 (Foto: TSE)
Para defender a tese contrária a qualquer tipo de golpe contra a democracia brasileira, ninguém precisa necessariamente ser petista. Como nunca em minha vida fui petista, apesar de simpatizar com as idéias que foram colocadas em prática no Brasil depois de 2002, e que deram certos (tanto que não somente houve distribuição de renda e melhoria na qualidade de vida das pessoas, como também nobres empreendedores e especuladores financeiros ganharam mais dinheiro), tenho a mais absoluta liberdade de expressar minha opinião em defesa do projeto político que governa o país hoje, coordenado por uma coalização de partidos políticos, e não somente pelo PT.

Bom não esquecer também que demonizar o partido de Dilma Rousseff e de Lula não se considera premissa para processo nenhum de impeachment. Se quiserem eliminar politicamente o PT que tenham um projeto político consistente que não convença apenas a classe média dos bairros de luxo de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas convença também cinquenta e quatro milhões de brasileiros que disseram nas urnas que preferem continuar com Dilma Rousseff no comando da nação, mesmo ela sendo do partido mais demonizado pela máquina da imbecilidade do Jardim Botânico, e pelas capas vistosas da revista da Marginal Pinheiro.

Como não existem elementos nem jurídicos, e do mesmo modo políticos, para praticar o golpe, o que essa turma que segundo os jornais britânicos é majoritariamente formada por gente realmente da classe média alta que não votou em Dilma Rousseff nas últimas eleições, quer mesmo é chegar ao poder pela utilização da força midiática e do grito. Provado está que a máquina da imbecilidade do Jardim Botânico do Rio de Janeiro definitivamente perdeu literalmente a vergonha, deixando de uma vez por todas de fazer jornalismo sério e independente, para fazer política sem votos nas urnas.
 
Comover a população mais abastecida financeiramente da sociedade brasileira para ir às ruas cantar o Hino Nacional, cantar Geraldo Vandré, e alguns sem vergonha cantarem hinos militares, é a prova da mais descarada fraqueza política, porque provam que precisam de uma emissora de televisão para ficar um dia inteiro, exatamente o dia que se comemora o fim do autoritarismo no país, apresentando imagens de falsos revoltados que não precisam de nada do Estado, além das benesses e das renúncias fiscais. 

O direito político de uma democracia soberana como a nossa reside na força da moral, e principalmente da moral das urnas dos outubros da vida. Se continuarem a perturbar a ordem pública, além de descumprirem a Lei 7.170, de 14 de dezembro de 1983, que “define os crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social, estabelece seu processo e julgamento e dá outras providências”, também necessariamente não construirão um projeto que convença mais de cinquenta e quatro milhões de brasileiros com direito a voto em 2018, o que se configurará mais uma vez incompetência e incapacidade eleitoral e política para assumir qualquer postura de poder no Brasil.

Dizer que o país enfrenta um grande perigo vermelho também se configura na mais absoluta falsidade, comprovando e reconhecendo que os ganhadores das urnas de outubro último que governam nação da bandeira verde, amarela, azul e branco, vêm fazendo isso desde 2002 e o Brasil não se acabou por isso, do contrário deixou de ser uma nação predominantemente exclusiva de 20% da população para ser uma nação soberana e democrática de mais de 200 milhões pessoas. O único perigo à vista é o distúrbio social que querem a qualquer custo impor ao país!

Ora, se os vermelhos tão odiados, abominados e demonizados pelos derrotados estão no controle do poder central de nossa jovem República provam que são competentes eleitoralmente e capazes inclusive de impor outra derrota em 2018, pois a turma mal assessorada pelas famílias donas dos meios de comunicações de nosso país não está fazendo política do modo correto, ou seja, numa democracia chega-se ao poder pelo voto, e somente através dele exercerá todo o poder.

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