Em vez de Congresso temos uma casa de negócios



Por Genaldo de Melo
 Dois pardais foram flagrados em 2010 lutando por comida em um jardim em Scherz, na Suíça. (Foto: Urs Schmidli/Barcroft Media/Getty Images)
Uma verdadeira onda conservadora varreu literalmente falando a política brasileira durante as últimas eleições a ponto de deixar muita gente séria preocupada com o que poderá ser apresentado como proposta legislativa na Câmara dos Deputados a partir de agora. Para analistas do mundo político que acompanham as ações parlamentares cotidianamente as últimas propostas apresentadas, e até aquelas que já foram aprovadas nessa legislatura, comprovam que temos um dos Congressos mais conservadores desde 1964. Quando pensamos que poderia acontecer mudanças substanciais na forma de se fazer política nesse país, o que vemos são propostas apresentadas que podem fazer com que nossa sociedade regrida naquilo de mais importante para todos, a própria democracia em si.

Prova disso, é que no Congresso, esse conservadorismo expressa-se em várias votações patrocinadas por parlamentares ou bancadas como o PL 4330 da terceirização, os acréscimos conservadores feitos na Câmara dos Deputados ao PL 3775 da sociobiodiversidade, o PL 4048 dos transgênicos recém aprovado, as propostas conservadoras da reforma política, o projeto de lei de redução da maioridade penal, para dar apenas alguns exemplos. Não se pode dizer que tais propostas ajudarão para que o país seja de fato mais democrático, do contrário são propostas absurdas patrocinadas pelo jogo de interesses de minorias políticas da sociedade brasileira.

Esse Congresso Nacional virou de fato uma composição elementar de interesses de grupos organizados da sociedade brasileira que pode não nascer coisa boa para a maioria do povo brasileiro. Existe latente dentro do Congresso Nacional cinco bancadas que vão se destacar em momentos decisivos, e naturalmente vão apresentar propostas que podem beneficiar os seus interesses e prejudicar os interesses de outros. Lembrando ainda que determinados deputados fazem parte de mais de uma bancada.

Forma a bancada de policiais 55 deputados, a bancada dos evangélicos é formada por 52 deputados, a bancada dos ruralistas é formada por 247 deputados, a bancada dos empresários tem exatamente 190 deputados. O grande absurdo político fica por conta da bancada dos trabalhadores que já houve momentos que passou de uma centena de deputados e agora conta com apenas exatos 46 deputados. O mais incrível ainda que saiu das urnas também foi um Congresso Nacional quase que totalmente formado por homens, pois são 462 deputados e apenas 51 deputadas.

Analisando um quadro dessa natureza como é que poderemos pensar que vai haver uma melhora na forma de se fazer política nesse país? E pior de tudo, na sociedade, crescem o ódio, o preconceito contra mulheres, negros, jovens, população LGBT, a criminalização da política e dos movimentos sociais. As redes sociais estão infectadas de expressões, análises, vídeos que destilam a discriminação e verbalizam valores conservadores, a falta de respeito às pessoas e às diferenças e muitas vezes pregam abertamente a violência. O Congresso Nacional é resultado disso.

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