Cinegrafista húngara diz que se arrepende de ter chutado refugiados

Por Genaldo de Melo

A cinegrafista Petra Laszlo, de uma TV húngara, causou indignação internacional ao chutar crianças refugiadas que tentavam escapar de um bloqueio na fronteira com a Sérvia. Filiada a um partido radical que faz campanha contra imigrantes, ela foi demitida (Foto: AFP/Index.hu)
A cinegrafista húngara Petra Laszlo, que chutou e derrubou refugiados quando fugiam da polícia esta semana, disse que, como mãe, está arrependida de suas ações e agiu em momento de pânico.
Ao mesmo tempo, a polícia húngara afirmou tê-la interrogado na quinta-feira como suspeita, depois que promotores ordenaram uma investigação do caso por conduta desordeira. A cinegrafista foi demitida na terça-feira do canal de notícias N1TV, também conhecido como Nemzeti TV, depois que vídeos de suas ações se espalharam na mídia e na internet. Vídeos separados mostram Petra chutando uma menina e fazendo tropeçar um homem que carregava uma criança no colo, num momento em que centenas de estrangeiros, muitos deles refugiados sírios, fugiam da polícia na fronteira sul da Hungria com a Sérvia. "Sinceramente, eu me arrependo do que aconteceu... Estou praticamente em choque com o que fiz, e o que foi feito comigo", escreveu Petra em carta publicada no site do jornal Magyar Nemzet. Ela disse que entrou em pânico quando centenas de imigrantes começaram a correr em sua direção, e quis se proteger. "Não sou uma cinegrafista racista sem coração que chutaria crianças... sou uma mulher, uma mãe com filhos pequenos, que depois perdeu o emprego, e que tomou uma má decisão em pânico", acrescentou. O governo de direita da Hungria assumiu uma posição linha-dura em relação ao fluxo de imigrantes através das suas fronteiras, a caminho da Europa Ocidental, retratando-os como uma ameaça para a prosperidade da Europa e os "valores cristãos". A Hungria registrou este ano a passagem de mais de 170.000 refugiados, muitos deles fugindo de conflitos no Oriente Médio. A polícia vem tentando cercá-los e registrá-los, em conformidade com as regras da União Europeia, mas muitos recusam, temendo serem forçados a ficar na Hungria, em vez de passar para a Alemanha ou a Suécia.

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