Distraído, Ronaldo Caiado (DEM-GO) diz a quem representa

Por Genaldo de Melo

Há um projeto de lei tramitando no Senado, em que são propostos certos incentivos para a repatriação de recursos ilegalmente depositados no exterior ("RERCT - Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária de bens não declarados, de origem lícita, mantidos no exterior por residentes e domiciliados no país"). O projeto prevê anistia para os crimes de evasão de divisas e de sonegação fiscal para quem optar por trazer de volta o dinheiro para o Brasil. No projeto há a previsão, além do pagamento do imposto devido, de uma multa de 35%. Na "sabatina" do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que foi reconduzido ao cargo por mais dois anos, diversos senadores interpelaram o então candidato. A intervenção do senador Ronaldo Caiado foi esclarecedora. Sem medir o alcance de suas palavras, Caiado questionou Janot a respeito do projeto de lei da repatriação. Janot esclareceu que, por se tratar de um projeto, logo, sujeito a alterações (e mesmo a ser rejeitado), ainda não havia estudado o texto da proposta. Na réplica, Caiado, inadvertidamente, escancarou o jogo. Pediu encarecidamente a Janot que a PGR se manifestasse logo a respeito do tema, pois afirmou estar recebendo muitas consultas por parte dos eleitores dele, especialmente quanto à confirmação de que a multa tributária seria a única punição. Não poderia ser mais eloquente a sinceridade (ainda que acidental) do senador Ronaldo Caiado. Nessas poucas palavras, ele nos ensinou que seus eleitores são brasileiros que desviam recursos para o exterior, recursos esses oriundos de sonegação fiscal ou de origem ilícita. Este é um dos senadores mais empenhados em criticar a "corrupção do PT". Nada mais emblemático, nada mais representativo do que é boa parte da oposição. Os brasileiros agradecemos pela sinceridade do senador Caiado: sua intervenção foi extremamente didática.

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