O erro dos fortes



Por Genaldo de Melo 

A história que é sem sombras para dúvidas a prova dos nove tem comprovado reiteradas vezes que nenhum governo, por mais que tenha respaldo em capital eleitoral próprio, jamais, e nem sequer, deve imaginar que governa sozinho sem a participação de mais forças políticas, inclusive aquelas que por diversas vezes possam ter sido adversárias em batalhas eleitorais anteriores, mas que em tempos recentes afiançou-lhe confiança política. Complicado pensar que uma estrutura de governo possa pertencer apenas a um grupo político, ou mais precisamente ao grupo ou partido que teve a sorte de ganhar as urnas.

A história está repleta de exemplos de grupos políticos que a partir do momento que tomou as rédeas do poder, esse passou a ser dirigido politicamente por uma liderança personalista, que em suas atitudes pensou sempre apenas observando as lentes marrons de seus interesses próprios, alijando do processo outras lideranças e forças políticas que colocaram capital eleitoral suficiente para a vitória. O erro político consiste em não compreender a metáfora de que ninguém come um bolo sozinho sem que uma parte antes do final apodreça. E bolo podre sempre causa infecção intestinal!

Para satisfazer os interesses do povo, que necessariamente é para isso que serve um governo, deve-se está sempre rodeado das mais variadas correntes políticas ou ideológicas, que representam todas elas parcelas diferentes e que pensam diferente da população, mas que vivem todas sob o jugo de um mesmo governo. Esse princípio serve também para quem está em uma postura de poder menor planejando a chegada ao posto de poder maior. Isso porque existem indivíduos que por seu caráter político personalista, não enxergam que necessariamente para chegar a colocar em prática qualquer tipo de projeto de poder, concessões são inevitáveis.

Não é preciso viajar para muito longe para dialogar com a realidade e observar erros cometidos, que com uma boa assessoria seriam evitados. Observamos que determinados partidos, dialogam com as mais diversas forças políticas para ganhar as eleições, mas quando chegam ao poder querem e pensam que governam sozinhos. Observamos que partidos em posturas de poder menor em espaços menores, querem chegar a postura de poder maior, mais não distribuem nem uma pequena parcela do poder que tem. Por isso que por variadas vezes tentam a postura de poder maior, mas nunca conseguem, porque sempre acham que a estrutura que coordenam e não dividem lhes garantirão doses de dezoitos anos na cabeça no final dos dias dos outubros da vida que decidem quem manda em um governo.

Para determinados partidos e para determinadas lideranças políticas, discurso progressista será sempre para discutir questões de caráter coletivo que não se resolve nunca. Mas quando se trata de resolver interesses próprios, conservadores todos se tornam, como nunca deixaram de ser. Governo sozinho acaba, e quem quer chegar ao governo sozinho hiberna. O cenário político está repleto de indivíduos que sozinhos não passam do parlamento. 

Lembrei de Adorno e Horkheimer: mas como é ridículo ser inteligente!

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