Alice Portugal começou a incomodar demais em Salvador

Por Genaldo de Melo

Alice Portugal acusa prefeitura de fazer ‘demolições precipitadas e ilegais’
Não raro que lideranças políticas reconhecidas de fato nas urnas, principalmente aquelas na condição de gestores públicos, fiquem incomodadas com os ataques “políticos” deferidos por aqueles que na condição de partícipes do mundo político, também se coloquem na condição de disputarem os espaços na gestão pública nos anos eleitorais. Não raro também que aquelas lideranças políticas que comprovadamente em todas as disputas eleitorais ganharam os loiros das urnas, e ao mesmo tempo, foram colocadas pela própria história como representantes legítimos de segmentos da sociedade, desenvolvam legitimamente estratégias para convencer o eleitorado de que pode substituir como um projeto diferente aquele que está no posto de gestor público.

É da lógica da política de que não existe espaço político vazio, bem como não existe espaço do mesmo modo com proprietários eternos no mundo político, pois todos os espaços que são políticos são espaços de eternas disputas de projetos que raras são as vezes que não antagônicos entre si. É da lógica da política de que quem está em posto de comando de determinada gestão pública esteja preparado sempre para receber direta ou frontalmente ataques de natureza “política”, porque se não fosse assim não seria mundo político, seria no caso no mínimo espaços de empresas familiares e espaços similares, que mesmo assim ainda existe disputa.

Mas na política é quando se começa a incomodar que qualquer elemento do mundo político sem resistência à raciocínio líquido pode ver o peso, a capacidade e a qualidade dos ataques “políticos” desferidos pela oposição à determinada gestão pública. Principalmente percebe-se o incômodo político quando o ator político que se acha na qualidade de atingido diretamente judicializa o processo de disputa política pelo espaço que acha que literalmente lhe pode ser mais duradouro para manter seu projeto a longo prazo. É quando se acha que a justiça pode servir de ataque frontal de defesa que se percebe que se pode perder tudo no voto.

E é isso exatamente o que está a acontecer na capital baiana, Salvador. Reiteradas vezes o Partido Comunista do Brasil tem colocado em evidência a possibilidade natural de ter como representante no próximo processo eleitoral do ano que vem, como personagem principal que terá a sua foto nas urnas eletrônicas, a deputada federal Alice Portugal. Como existem espaços literalmente vazios a serem preenchidos por aqueles que fazem oposição ao atual gestor público da capital, parece que o melhor nome a ser avaliado nas urnas é o da deputada. E isso parece que tem incomodado a ponto de os passos de defesa dos representantes do projeto que governa hoje a capital serem processos judiciais contra os ataques “políticos”, recebidos de forma natural na política, contra a possibilidade de não vencer e soltar os fogos no final do dia da próxima eleição municipal.

Mas como dizia o rei dos reis dos hebreus que o ciúme é tão cruel como um túmulo, mas o amor é mais poderoso que a morte, vamos esperar para ver de quem será no final o amor do povo, porque não basta ser inteligente é preciso amar e ensinar a ser amado, principalmente com vistas aos resultados das urnas.  E pelo visto somente Alice Portugal tem incomodado os mentores principais que governam hoje a capital baiana, e o amor do povo não se compra se conquista.

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