'Moralistas sem moral' contaminam o golpe

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A oposição tenta hoje aquela que pode ser sua última cartada golpista – ao menos, no ano de 2015. Nesta terça-feira, a oposição deve entregar ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um novo pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, assinado por Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, e Hélio Bicudo, ex-petista. A tese é de que a presidente Dilma continuou a cometer as chamadas ‘pedaladas fiscais’ no ano de 2015. Com isso, Cunha ficaria livre para aceitar a denúncia, uma vez que sempre disse que presidentes não podem ser condenados por atos ocorridos em mandatos anteriores. No entanto, o novo pedido esbarra em várias dificuldades. A primeira delas, óbvia, é o fato de as contas de 2015 nem sequer terem sido julgadas – até porque o ano nem terminou. O maior obstáculo, no entanto, é a ficha corrida dos personagens que lideram o golpe. Cunha foi novamente denunciado ao Supremo Tribunal Federal na semana passada e é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter escondido um patrimônio de R$ 61 milhões por meio de suas contas secretas na Suíça. Por isso mesmo, ele decidiu recorrer ao STF para restabelecer o rito do golpe, que foi suspenso pelas liminares dos ministros Teori Zavascki e Rosa Weber. De acordo com o plano original, Cunha rejeitaria o pedido e a oposição recorreria em plenário. Assim, o atentado contra a democracia brasileira, feito “em nome da ética”, não teria a assinatura de personagem notoriamente corrupto – o que seria esdrúxulo em qualquer lugar do mundo. Se isso não bastasse, ontem a Justiça Federal acolheu pedido do Ministério Público e pediu autorização para investigar o ministro Augusto Nardes, suspeito de receber mais de R$ 1 milhão para ajudar a RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, a abater dívidas fiscais. Nardes, para quem não se lembra, foi o relator das ‘pedaladas’ de 2014. É por essas e outras que tem sido tão difícil, para a oposição brasileira, emplacar seu golpe paraguaio, como foi reconhecido por um dos artífices do impeachment, o deputado Paulo Pereira da Silva, presidente do Solidariedade e ele próprio outro investigado no STF. “Estávamos fazendo o impeachment pela imprensa”, disse Paulinho. Na realidade, o golpe foi contaminado pelos “moralistas sem moral”, expressão cunhada pela presidente Dilma num discurso realizado na Central Única dos Trabalhadores. Os golpistas atuais, todos enredados em escândalos, não têm autoridade moral para conduzir um eventual processo de impeachment. (247)
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