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A crise moendo no eixo e os bancos lucrando


Por Genaldo de Melo
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Depois do feriadão mais uma vez tivemos as “preciosas” opiniões de baluartes da economia brasileira sobre a crise que vive o país, nos espaços de TV aberta, principalmente da Rede Globo e sua azarada vontade de que o Brasil quebre de fato para dá espaços para empresas multinacionais de não-brasileiros. Esses capatazes de interesses contra a economia brasileira discursam como se a crise do capital especulativo fosse apenas do Brasil, e de forma goebbelsiana culpa de apenas um partido político, que continua calado sempre parecendo a moça que perdeu o noivo num naufrágio e ainda acha que vai encontrá-lo vivo.

A primeira opinião vem do nobre Abílio Diniz, que no desejo de acumular dividendos financeiros à custa do trabalho e suor de outros brasileiros, em alto e arrogante som fala de que o Brasil vive um processo de liquidação de suas riquezas e de seu patrimônio econômico. É como se quisesse realmente voltar a promover a opinião defendida no chamado Consenso de Washington, de que não temos como Estado Nacional competência para tocar nossa economia, e que a mesma deve ser coordenada por estrangeiros, especialmente americanos e grupos europeus. Vamos ver se ele vende o patrimônio dele, já que diz que o Brasil já está na bancarrota, e outros Estados Nacionais não. Brinca com nossa inteligência como se todos fossem teleguiados pela opinião da Rede Globo, da Veja, da Época, do Estadão, e da Folha de São Paulo. Nas entrelinhas somente quem está em profunda recessão é o Brasil na sua “modesta” opinião.

A segunda opinião é sempre uma incógnita, porque sai exatamente de um cérebro que sempre parece ao bom senso uma incógnita. Como pode uma pessoa que culturalmente sempre foi colocada em relação aos prolegômenos da economia brasileira como sendo acima do bem e do mal, nunca ser convidada para dirigir os rumos da economia brasileira? Mais precisamente, porque nunca Mirian Leitão foi convidada para ser Ministra da Fazenda? Porque será mesmo que na opinião dela está tudo errado, nada vai certo, opina sempre soluções confusas, que num dia é uma coisa, no outro dia é outra, e nunca ninguém convida a mesma para assessorar nenhum governo? É um fenômeno “sociológico” para ser estudado, porque quando uma pessoa se destaca numa área mesmo que opinando, acaba em postos de responsabilidades maiores.

Ambos os baluartes dessas últimas opiniões atingem um público específico, exatamente aquele que nada entende do funcionamento da economia, porque não dispõe de aparatos educativos para tanto, não tem dinheiro para consumir todas as mídias e não apenas as que são por natureza parcial (comprovada nos últimos meses), pois dispõe apenas de uma TV aberta que em muitos lugares do país é a única com sinal.

Interessante mesmo é essa turma boa que tem espaços privilegiados para atingir grandes públicos com suas opiniões pessoais, e que representam uma minoria econômica dona dos meios de produção no país, nem uma palavra fala dos extraordinários lucros dos bancos privados desse país. Para estes não existem nenhuma crise econômica, pois extraordinariamente estão sendo abarrotados de lucros. Para estes, crise acontece é se eles derem aumentos merecidos aos trabalhadores bancários que tanto trabalham, para que seus cofres aumentem de forma obscena.

Os últimos relatórios dos dois grandes bancos privados, Itaú Unibanco e Bradesco, comprovam que crise mesmo é o discurso de Abílio Diniz e Mirian Leitão, porque respectivamente o primeiro banco lucrou já este ano R$ 17,7 bilhões de reais, enquanto o outro mais modesto lucrou R$ 12,81 bilhões. Mais quanto a isso nenhuma palavra, apenas o silêncio dos inocentes. Que crise, amigos!

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