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04 motivos do fim era "José Ronaldo" em Feira de Santana

Por Genaldo de Melo
Quem sempre erra em sua avaliação em relação aos resultados das urnas sempre é aquele que avalia pautado em emoções políticas, ou seja, a maioria de todas as pessoas que acompanham o mundo político quando conclui que determinado candidato vai ganhar as eleições, não dialoga com pesquisas sérias, e nem mesmo com a realidade eleitoral, mas ver as coisas de forma visceral. Pode ser que seja por isso que em Feira de Santana, em todos os espaços públicos, bem como nos chamados “senadinhos”, tem especialistas de “boca” que já estão praticamente comemorando a vitória à reeleição de José Ronaldo (DEM), como se eleição não tivesse mistério e incógnita.

Com o lançamento da primeira pesquisa de intenção de voto realizada pelo IBOPE, em que entrevistou 504 eleitores num universo de quase 400 mil cidadãos com direito à voto, que colocou José Ronaldo com uma larga margem de diferença, isso impulsionou as emoções das pessoas que parecem querer esquecer que a campanha eleitoral apenas começou, e num cenário totalmente diferente daquele de 2012, em que o atual gestor ganhou no primeiro turno.

Contribui também para colocar essa postura no imaginário dos apaixonados por José Ronaldo (DEM) o trabalho realizado minuciosamente em alarde pelo conjunto da máquina de propaganda, formada pela maioria quase que absoluta dos meios de comunicações do município.

Mas a política não é como a matemática, que seus resultados são esperados e exatos, a política se parece mais com o princípio da “impedância intrínseca complexa” da física, ou seja, a luz refletida no espelho vai refletir a mesma luz de volta, o calor refletido em uma parede escura ele vai ser absorvido em quase sua totalidade, ao passo que o mesmo sendo refletido em uma parede branca vai ser absorvido de forma parcial. Por isso, que os especialistas dos “senadinhos” e de mesas de bares, emocionados que estão podem cometer erros que serão catalogados nas urnas na noite de 02 de outubro próximo, mesmo porque até especialistas em pesquisas erram, porque os cenários de hoje não são os mesmos de amanhã.

José Ronaldo (DEM) começa na primeira pesquisa com 64% de intenções de votos, enquanto que Zé Neto (PT) como segundo colocado começa com 14%, e o terceiro colocado para grande surpresa, Jonathas Monteiro (PSOL) começa com 8%. Mas esta não é como as eleições de 2012 como já foi dito, por isso que os resultados por mais que alguns “especialistas” queiram dizer que já está consumado o fato, necessariamente os resultados não vão ser desse modo.

Quatros fatores decisivos contribuem para esta tese. A própria avaliação entre a primeira pesquisa apresentada agora, a primeira pesquisa de 2012 e os resultados daquele ano; o fenômeno “Rasta” (PSOL); a presença do suplente de deputado estadual Ângelo Almeida (PSB); e a volta do rosto de Jairo Carneiro (PP) às urnas.

Nessa primeira pesquisa do IBOPE José Ronaldo (DEM) reina absoluto com seus 64%, enquanto que os demais juntos somam 24%. Em 2012 na primeira pesquisa o atual gestor começou muito melhor com 76% das intenções de votos, enquanto Zé Neto (PT) começou com apenas 8%, e todos os demais, Jonathas e Tarcísio Pimenta, começaram com irrisórios 4% juntos. Apesar de Ronaldo ter sido eleito no primeiro turno com 66%, no resultado daquelas eleições Zé Neto subiu para 18,5%, e Jonathas Monteiro consolidou-se com 9,2%, acima de Tarcísio Pimenta que ficou com apenas 6,1%. Mas aqui é bom lembrar também que naquelas eleições não tinha a presença de Ângelo Almeida (PSB) e de Jairo Carneiro (PP). Conclui-se, portanto que ambos necessariamente vão crescer nesse pleito a partir da campanha eleitoral.

Nessas eleições de novo a candidatura de Jonathas Monteiro (PSOL) pode ser o ancoradouro daqueles 10% dos cidadãos que conscientes ou não tendem a votar como forma de protesto em candidatos que representam tanto o novo, como por representar o discurso da radicalização de um projeto de poder. O “Rasta” começou na primeira pesquisa de 2012, como está começando hoje o jovem Leonardo Pedreira (PCO) com apenas 1%, mas saiu das urnas com mais de 27 votos, muito mais do que mesmo o prefeito atual da época, Tarcísio Pimenta. Com um discurso sério e firme, como sempre fez na teoria e na prática os membros de seu partido, bem que ele deveria ter preparado uma chapa proporcional para colocar um quadro na Câmara de Vereadores, ou seja, ele próprio, mas como não se deu assim, ele começa essa campanha com exatos 8% das intenções de votos.

A outra grande novidade nesse processo é a participação de Ângelo Almeida (PSB), que na realidade não pode ser considerado um nome qualquer. Ele vem com um histórico de ser ex-vereador, atual suplente de deputado estadual, e numa legenda que vai naturalmente priorizar sua candidatura no segundo maior colégio eleitoral do Estado, ou seja, o PSB que desistiu de concorrer em Salvador com a senadora Lídice da Mata, mesmo tendo candidaturas em vários municípios da Bahia, deverá jogar peso aqui, porque pretende construir capital eleitoral para 2018, pois naturalmente pode querer de novo uma vaga no Senado Federal, e aumentar a participação no Congresso Nacional e na Assembléia Legislativa.

Ainda como grande novidade para abalar as estruturas dos apaixonados por José Ronaldo (DEM) é a volta ao cenário eleitoral do ex-deputado Federal, e ex-Secretário de Estado, Jairo Carneiro (PP). Este também não um nome qualquer, até porque o seu discurso deverá se pautar principalmente na possibilidade do "novo" com a experiência de ter sido um dos maiores captadores de recursos para os governos municipais. Além disso, tanto para senso comum como os especialistas a tendência é que a rejeição de 16% de José Ronaldo (DEM) muito lhe favorecerá, porque esta é indicativo de que existe uma parcela da população que sempre votou no atual gestor que está cansada e quer uma mudança, mas não vota no PT.

Os fatos são estes para que os apaixonados não tenham resistência à raciocínio para fazer uma abordagem de que o segundo turno pode está à vista, porque mesmo alardeando que José Ronaldo (DEM) dispõe de 4,07% minutos de televisão e rádio para apresentar suas propostas, os seus adversários juntos dispõem de muito mais para lhe bater. Lembrando também que Zé Neto (PT) não vai, absolutamente não vai, permanecer com apenas 14%, porque mesmo o PT em situação ruim, a tendência natural de qualquer candidato na oposição é crescer, e, portanto pode não ser nenhuma surpresa sua presença no segundo turno. Os dedos estão cruzados!

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