A grandeza de Nassar e a pusilanimidade do Ministro

Por Genaldo de Melo

Em qualquer nação do mundo que se preze, e que tenha a seriedade como ponto de partida para administrar as questões de políticas culturais, o cargo do representante principal, ou seja, o Ministro da Cultura, é sempre exercido por um intelectual ou por um ativista do mundo cultural que conhecem os meandros dos setores culturais, que sabem das necessidades do desenvolvimento cultural e artístico propriamente dito.

No Brasil depois do golpe parlamentar que tirou Dilma Rousseff do cargo de presidente (porque foi um golpe contra a democracia, apesar de alguns indivíduos e grupos políticos assumirem o discurso de que tudo foi constitucional), o Ministério da Cultura está sendo exercido por um indivíduo oportunista, que de política cultural não entende é de nada.

Nos últimos governos no Brasil o cargo de Ministro da Cultura, mesmo sendo indicação política, sempre foi exercido por alguém preocupado em fazer com que a cultura fosse levada a sério. Nos governos de FHC, Lula e Dilma Rousseff todos os representantes principais da Cultura foram ou intelectuais de renome na sociedade ou ativistas da área cultural. O auge realmente foi com Juca Ferreira e Gilberto Gil, quando o Ministério da Cultura cumpriu um papel que nunca antes havia feito.

Mas agora com esse (des) governo que o Brasil enfrenta, o Ministério da Cultura, está sendo administrado por um político de carreira, oportunista de plantão, que não tem mais voto, nem em Pernambuco e nem mais em São Paulo (tanto que é o sétimo suplente para deputado federal), e é uma verdadeira vergonha e motivo de piada, não somente no Brasil mas no mundo inteiro.

Com o golpista Roberto Freire assumindo uma pasta estratégica, e agora sem dinheiro nenhum, o governo está desrespeitando não somente a cultura em si, mas os artistas brasileiros propriamente ditos. Roberto Freire não entende nada de cultura e arte, e nem mesmo no auge do seu autoritarismo, e bajulação para manter seu emprego em final de carreira, teve a humildade de respeitar a opinião de um intelectual do porte de Raduan Nassar, que foi escolhido merecidamente para receber o Prêmio Camões de Literatura.

Foi vergonhoso sua atitude diante da grandeza intelectual de Nassar, e diante de tantos ativistas culturais sérios, que na democracia têm o direito de opinar e de ser contra os golpistas. Na entrega do Prêmio a noite era de Nassar, e não de um golpista anacrônico, sem voto, e sem moral, para ser Ministro da Cultura de um Brasil tão diverso em aspectos culturais.

Na falta de vergonha do mesmo, quem deveria tomar vergonha e mandar esse senhor mal-educado e deselegante de volta para os braços do seu padrinho José Serra, para que ele pelo menos com o respeito a sua idade seja no mínimo assessor do senador de São Paulo, para não ficar desempregado, seria Michel Temer. Assim respeitaria artistas, ativistas culturais, e faria pelo menos o primeiro bem ao Brasil desde que assumiu na forma torpe o governo brasileiro.

Pois o Prêmio Camões de Literatura não é uma iniciativa de Michel Temer, e nem um favor de um governo específico, principalmente um golpista que tirou todos os recursos do Ministério da Cultura. O Prêmio é uma iniciativa de dois estados soberanos, um hoje em regime de exceção, que é o Brasil, e o outro democrático, que é Portugal. Que o pseudo-ministro respeite isso, porque Raduan Nassar quando foi escolhido para receber o Prêmio, Michel Temer ainda era vice-presidente decorativo, e ele um senhor de recados do senador José Serra!

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