A orfandade da mídia e o ostracismo do juiz

Por Genaldo de Melo
A imprensa do Jornalismo da Obediência no Brasil vai sofrer um grande revés, sem precedentes, com a notória possibilidade de a Operação Lava Jato chegar ao fim, principalmente porque ela vai ter que se adequar a realidade de poder ter que criar manchetes com escassas matérias políticas, já que não existindo mais Lula sob o crivo das "convicções" de Curitiba para atacar, pode ficar à deriva.

Nos últimos tempos essa imprensa de propaganda política viveu da eterna e infinita tese goebbellsiana contra o PT e Lula, e como não comprovou nenhuma das teses contra o ex-presidente ficará órfã de matérias caluniosas ao maior líder da América Latina dos últimos anos.

Tudo isso porque se não existe nada contra Lula, e começará de fato, se a Operação Lava Jato continuar, a desnudar exatamente todos aqueles que foram artífices do golpe de Estado no Brasil, principalmente membros dos três principais partidos políticos da direita brasileira, a imprensa vai ter que se adequar ou voltar a defender exatamente quem tem votos, segundo todas as pesquisas de opinião, ou seja, Lula.

E pelos prognósticos da conjuntura política atual a Operação Lava Jato está literalmente em cheque, porque o alvo dela agora é principalmente Michel Temer, Aécio Neves, José Serra, Rodrigo Maia, Eunício Oliveira, e membros de altas penugens coloridas do PMDB, PSDB e DEM.

E por isso, as eminências pardas que utilizou a Lava Jato para derrubar Dilma Rousseff, estão em pleno vapor para agora colocar no seu devido lugar a eminente estrela da Lava Jato que é exatamente o senhor Sérgio Moro.

E com a derrocada desse juiz que até o momento tinha tomado postura apenas contra o PT e contra Lula, apesar de ter colocado de “molho” algumas eminentes figuras de outros partidos que foram aliados do PT, agora velado ou não velado ele tem agora seus adversários políticos, porque na política é diferente do juridicismo. Na área jurídica existe a lei, mas na política existem são punhais metafóricos.

A primeira grande investida contra Curitiba foi feita pelo próprio Michel Temer, que está literalmente no olho furacão da Lava Jato, escolhendo para ser ministro do STF um dos mais atrapalhados de seus assessores, mas que vai pelos prognósticos defendê-lo, e aos amigos, com unhas e dentes.

A segunda grande investida foi feita pelo ministro Gilmar Mendes, que sempre foi a grande estrela que transformou uma parcela da justiça brasileira em “política”. Gilmar recentemente disse que já está na hora de rever as prisões de Curitiba, deixando claro nas entrelinhas que agora o STF deve assumir de fato seu papel, e não um juiz qualquer.

A terceira e simbólica investida foi a do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com seu artigo na Folha de São Paulo, quando ataca veementemente o Juiz Sérgio Moro de ter inventado um hotel em Curitiba para as delações premiadas, e de que a sua prisão afronta a lei nº 12.043/11que estabelece que antes da prisão preventiva existam as medidas cautelares alternativas.

Nisso tudo, eles devem tomar uma decisão que somente favoreçam a eles mesmos, que é acabar com a Operação Lava Jato, colocar Sérgio Moro no ostracismo jurídico e “político", e inventar uma nova estratégia para combater a onda avassaladora da força do lulismo que continua vivo. E a imprensa do Jornalismo da Obediência vai ter que recomeçar tudo de novo! Coitada!

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