Ícones também erram e vão para o ostracismo político

Por Genaldo de Melo
No final da última década do século passado quem quisesse compreender o mundo político em Sergipe tinha que, como sempre deve ser feito, olhar para os passos dos grandes estrategistas políticos da época. Em política por mais que os jornalistas dialoguem com a realidade, e repassem informações políticas coerentes, todos eles bebem das fontes desses estrategistas que fazem as rodas do carro da política andar.

E os estrategistas políticos daquela época, que decidiam as determinadas ações políticas, que eram ou seguidas à risca ou rechaçadas como coisa de adversário, eram Albano Franco e Jerônimo Reis. Albano era governador, e era considerado o político que criava outros quadros políticos e depois como uma espécie de capoeirista derrubava-os a seu bel-prazer.

Jerônimo era uma liderança regional que escolhia quem deveria ser ou não ser prefeito em sua região, e do mesmo modo, deputado estadual ou federal. Quem quisesse compreender a política sergipana tinha que obrigatoriamente olhar para a cidade de Lagarto, porque senão ficava fora dos bastidores do mundo político.

Mas no mundo político um fato é certo, o tempo político passa para todos, e alguns cometem seus erros naturais da política e acabam no ostracismo. Provavelmente foi exatamente o que aconteceu com os dois ícones da política sergipana do século passado. Como na política todo mundo erra não seria natural que algum super-homem superasse essa natural fatalidade.

Lembrei disso para mostrar como num regime de exceção, em que gente que não faz parte do mundo político, mas do mundo jurídico e do mundo da fantasia, busca desesperadamente entrar no mundo político, mas erra num passo atrás de outro passo. Como natural da política o PT cometeu seus erros políticos e está fora do mundo político, parece que por enquanto. Mas dois homens protagonizaram estratégias políticas para derrubar o PT.

O primeiro deles foi Michel Temer. Mas este cometeu o erro de assaltar o poder sem capacidade política e administrativa, e sem nenhum projeto de poder, tanto que a cada dia que se passa seu governo é denunciado por corrupção, com seis de seus ministros envolvidos em investigações, e ele não tem nem mesmo capacidade de montar outra equipe para governar, mesmo que ele esteja envolvido também nas denúncias. Provavelmente o ostracismo será seu caminho.

O outro que protagonizou nos tempos recentes estratégias políticas, foi o juiz que coordena a Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás. Como ululantemente este está fazendo política em suas ações jurídicas, os erros ficam mais claros no mundo político. Coordena uma operação que completou três anos, mas não consegue atingir seu objetivo, exatamente porque não sabe fazer política, e está confundindo juridicismo parcial com política.

Como o juiz da República de Curitiba não consegue de nenhum modo prender Lula, porque não arranja provas para tanto como quer a qualquer custo, está cometendo politicamente erros atrás de erros. Agora este último de querer censurar o jornalista Eduardo Guimarães, foi a gota d’água para provar que ele não vai chegar nem mesmo perto do que foi os estrategistas políticos sergipanos, que estão hoje no ostracismo.

Vergonhosamente hoje ele recuou e tomou a decisão exigida pelas entidades jornalísticas do Brasil e do exterior, não vai mais querer quebrar o sigilo da fonte de informações do blogueiro que ele resolveu perseguir, porque não consegue com Lula. Simplesmente ele não tem capacidade para estratégia política, nem mesmo lendo Musashi, Sun Tzu, Maquiavel, ou até as 48 leis do poder da cabeceira de João Dórea! Se não tomar cuidado recebe uma boa aposentadoria compulsória como prêmio...

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