ROUBO DE AMOR

Por Genaldo de Melo
A saia rodada e lilás de Maria
Rodopiou, rodopiou por várias flores
E por várias outras vezes rodopiou
A cabeça da moça solteira
Nos canteiros de arroz vermelho
De Lagoa Comprida de maio
Em Porto da Folha
De mil novecentos e oitenta e dois...
Era a cabeça rodando, e rodando
Nos devaneios de um vaqueiro
E a saia rodopiando
Espantando passarinhos
Que insistiam em estragar as mudas de arroz.
A saia rodada de Maria
Rodopiou no terreiro pelo mês de maio
E quando junho chegou molhado
De mil novecentos e oitenta e dois
O vaqueiro golpeou o velho pai
Roubou Maria na garupa
Só voltando de além do Capivara
Em um novembro de luzes
E Maria já plena para suas luzes.

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