A verdade sobre os elementos conceituais do fascismo e os novos membros no Brasil

Por Genaldo de Melo
Símbolo fascista: o feixe significava a união e a obediência; a machadinha, a repressão.
Desde que se consolidou o golpe de Estado no Brasil que tirou Dilma Rousseff do Palácio do Planalto, planejado e executado por forças peemedebistas, tucanas, demistas e aliados, que se fala abertamente sobre as palavras “fascista” e “fascismo” para tudo que se contrarie a opinião de alguns proeminentes formadores de opinião, bem como para militantes digitais. Na grande maioria dos casos as pessoas não sabem o conceito literal dessas palavras, mas esbravejam as mesmas contra pretensos inimigos, porque são palavras que significa tudo que existe de ruim em seus conceitos mais elementares.

Nem tudo o que se expõe como fascismo condiz com a verdade, e para compreender os conceitos é preciso remontar ao passado, considerando que o conceito prático do fascismo categoricamente foi se adaptando com os tempos, com as circunstâncias e com as atitudes práticas. Com atitudes práticas que ultrapassam o conceito de fascismo como doutrina política, porque o mesmo se assumiu como uma atitude em relação à vida na qual indivíduos e gerações são unidos por uma lei e uma vontade mais elevadas, mais especificamente, a lei e a vontade da nação.

O fascismo como doutrina política surge a partir de todos os problemas desencadeados pela I Guerra Mundial, em que a Itália sai da mesma combalida, política, territorial e economicamente, em que os políticos tradicionais não conseguem dá respostas a esses problemas, mesmo num cenário em que tanto os partidos políticos de direita como de esquerda cresciam, em popularidade entre os sofridos camponeses e trabalhadores. Nesse ínterim, o Partido Fascista Nacional de direita, sob a liderança de Benito Mussolini e a orientação filosófica de Giovanni Gentile, usou a retórica nacionalista para ganhar apoio popular. Eles defendiam uma nova forma radical de organização social baseada num Estado que procura abarcar tudo na sociedade, ou seja, tudo que existe, tanto os recursos materiais como os humanos, pertencem ao Estado.

A partir das idéias expostas em “La dottrina del fascismo”, atribuído a Mussolini, mas que segundo estudiosos é de autoria de Gentile, os princípios do fascismo como doutrina política são expostos, tendo com auge a Exposição da Revolução Fascista, que aconteceu em Milão em 1932. Gentile rejeita a ideia do individualismo como se expõe hoje no neoliberalismo, pois achava que a resposta para as necessidades de propósito para o povo quanto de vitalidade e de coesão para o Estado estava no coletivismo, com a promoção de valores além do materialismo.

Gentile não concordava com a posição marxista que defendia a sociedade dividida em classes sociais e o processo histórico comandado pela luta de classes. Se opunha abertamente contra a idéia democrática do governo da maioria, na qual a vontade da nação como coisa em si subordina-se à vontade da maioria. Nesse sentido, todos os valores humanos e espirituais estão dentro do Estado e toda a ação individual serve unicamente para preservar e expandir o Estado.

Mais precisamente a concepção fascista de Estado abarca tudo, pois a lei e a vontade da nação têm prioridade sobre a vontade individual, ou seja, para se criar uma nova nação que possa responder aos problemas oriundos da I Guerra Mundial seria necessário moldar todas as vontades individuais numa só. E todas as formas de sociedade civil fora do Estado são reprimidas, e todas as esferas de vida, econômica, social, cultural e religiosa, se subordinam a ele. O fascismo como atitude perante a vida passa a ser uma atitude pessoal que gerou a incógnita do ódio contra tudo e contra a todos que não concordassem com a ideia dos princípios elementares do fascismo. 

Segundo Umberto Eco, como ideologia o fascismo tem como características elementares: o culto à tradição; o rechaço ao modernismo; o culto da ação pela ação; rechaço ao pensamento crítico; medo do diferente; apelo às classes frustradas; nacionalismo e xenofobia (obsessão pelo complô); inveja e medo do inimigo; princípio da guerra permanente; elitismo (desprezo pelos fracos); heroísmo (culto à morte); transferência de vontade de poder e questões sexuais; populismo qualitativo; e novilíngua (produção textual pobre para limitar raciocínios complexos e críticos).

Gentile tornou-se Ministro da Educação de Mussolini para por em prática à nação italiana essa doutrina de Estado, coordenado por este que passou a ser chamado de “Il Duce” (O líder). Como ministro da Educação Pública no primeiro Gabinete de Mussolini Gentile implementou a “Riforma Gentile”, uma reforma radical do sistema de ensino secundário que priorizava o estudo da história e da filosofia. Ele era a força motora por trás da Enciclopédia Italiana, num esforço radical de reescrever a história da nação.

Comparando com os dias de hoje não se pode dizer que os mentores do golpe de Estado atual no Brasil são fascistas no sentido mais literal da palavra, porque não são estadistas são neoliberais, usam conceitos como o ódio contra tudo o que não diz respeito ao que defendem como tese de Estado, mas estão fazendo tudo ao contrário, ou seja, diminuindo o Estado como nação. 

Para melhor compreensão do que fazem com o uso de elementos conceituais fascistas dois exemplos servem aqui: o uso recente indiscriminado de bandeiras brasileiras e camisas da CBF como "uniformização" contra o vermelho do PT e contra o suposto combate à corrupção; e a foto tirada recentemente entre o senador José Serra, e a presidente da UNE, Carina Vitral, em que houve um ódio de ambos lados dos pólos políticos em disputa hoje no Brasil. Esperamos que como doutrina de Estado o fascismo nunca mais possa renascer, porque a extensão adaptada dele todo mundo conhece como nazismo. Quem puder dá um exemplo melhor, que dê com os presentes na cena política brasileira!

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