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Agora a verdadeira insatisfação dos empresários com Temer está começando

Por Genaldo de Melo
Quando Michel Temer e sua organização “estranha” chegou ao poder tomando de assalto o governo eleito democraticamente pelas urnas, ele não fez isso porque teve capacidade política para tanto. Michel Temer chegou ao poder porque forçou a barra, quebrou as regras democráticas, porque Dilma foi ateada do Palácio do Planalto e não se provou nenhum crime contra ela.

Melhor dizendo, Michel Temer chegou ao poder porque parcela do empresariado que sempre financiou as campanhas milionárias dos deputados e senadores assim o quiseram, esperando que ele fizesse tudo de conformidade como deve fazer um bom empregado.

Mas mesmo Michel Temer tentando de todas as formas cumprir o seu compromisso acordado com a perigosa alma chamada mercado, a economia não anda. E com isso ele agora não somente atinge os pobres desse país, mas tem que apunhalar também quem lhe apoiou em sua mais trágica traição para querer ficar nos livros de história como um Presidente da República (que poucos vão ler já que ele também aprovou a reforma do Ensino Médio que retira das escolas o estudo de História).

E como diz o adágio popular de que o feitiço sempre se volta contra o feiticeiro, além das trágicas baixas em pesquisas de popularidade, ele também começa a enfrentar aos poucos a ira de quem lhe estendeu as mãos para fizesse o trabalho sujo que as urnas nunca aceitaram. Reproduzo abaixo o excelente artigo da jornalista Tereza Cruvinel, publicada em seu Blog no Brasil247 para melhor compreensão do que falo.

Em alta, a insatisfação do empresariado com Temer (Tereza Cruvinel/Brasil247)

No dia em que o Copom reduziu a taxa Selic para 9,75%, o aplauso dos empresários do setor produtivo foi um muchocho: podiam ter cortado mais, disseram em coro. Eles apoiaram o golpe, abraçaram Temer e sua agenda de reformas. Como o estouro do caso JBS, alguns flertaram com sua troca por Rodrigo Maia mas recuaram: ruim com ele, pior sem ele, chega de turbulência. Agora, porém, crescem os sinais de insatisfação do setor produtivo com um governo que não trouxe estabilidade política nem crescimento,  aprofundou a recessão, agora aumentou impostos e enfrenta um descomunal desajuste fiscal. 
         Dirigentes que apoiaram decididamente o golpe, como Paulo Skaf, presidente da Fiesp,  e Robson Andrade, presidente da CNI,  reagiram com desdém ao corte de um ponto percentual na Selic, recolocando-a no patamar de um dígito.  "O BC está com a preocupação errada. A inflação está sob controle. O que o Brasil precisa, no momento, é retomar o crescimento e gerar novos empregos. E isso só vai acontecer com juros mais baixos", declarou Skaf. “O Copom poderia ter feito um corte mais ousado dos juros, como era o nosso desejo. O Banco Central perdeu uma oportunidade”, disse Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo.
         A redução moderada dos juros, já esperada, foi só um pretexto para externarem uma insatisfação que é mais ampla e reflete o ceticismo em relação à capacidade do governo de colocar a economia “nos trilhos”, como prometeu o presidente dos 5% de aprovação.  A CNI, por exemplo, divulgou nota bastante ácida reclamando da decisão da Camex (veja a íntegra no final da matéria) de revalidar, até 2020, um acordo com o Chile pelo qual só navios com bandeiras dos dois países podem operar comercialmente entre eles. A medida visaria, segundo a nota, proteger duas empresas  nacionais, que não foram identificadas, impedindo que navios de outras nacionalidades façam fretes a custos mais baixos com redução no preço final dos produtos importados ou exportados. “O setor privado não encontra nenhuma justificativa plausível para a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) que adiou o fim do acordo marítimo entre o Brasil e o Chile para 2020.  A decisão não ajuda a melhorar a competitividade da indústria. Estamos precisando de soluções imediatas e positivas, que gerem emprego, renda e um ambiente que se permita investir mais. Não é o que acontece com essa decisão”, disse Robson Andrade na nota. O fim do acordo já fora acertado bilateralmente mas a Camex, depois de cozinhar o assunto por meses, ontem resolveu manter a reserva de mercado até 2020.
         As queixas da indústria começam ser externadas com mais estridência. O acesso ao BNDES continua complicado, a TLP é refugada, a capacidade instalada, por conta da recessão, continua sendo utilizada abaixo da média histórica, o aumento dos combustíveis terá impacto sobre os custos de produção, o fim da política de conteúdo nacional reduz encomendas do setor petrolífero etc. etc.  O encanto com Meirelles também vai se quebrando a olhos vistos. Cresceu com o aumento de impostos e aumentará mais ainda se ele ceder às pressões para afrouxar a meta fiscal para atender à operação salva-Temer.
         Enquanto isso, o governo abre as torneiras para enterrar a denúncia contra Temer e apega-se a medidas fiscais de resultado duvidoso, como PDV para funcionários públicos  e a cobrança de benefícios pagos indevidamente a pessoas que já morreram. Quem vai devolver e quando? Vem aí mais arrocho fiscal, como o adiamento dos reajustes salariais negociados em 2016, o que reforça a percepção de que não há segurança jurídica no país. 
         Mas entre esta irritação com o governo e seu afastamento há uma distância que o empresariado não parece disposto a percorrer, pressionando o Congresso pela aceitação da denúncia contra Temer. Contra Dilma, engajaram-se, alguns até financiaram a compra de votos. Não tendo certeza de que Temer cairia, resguardam-se. A população, de sua parte, expressa na pesquisas seu repúdio ao governo mas não se anima a protestar nas ruas. Resignou-se ao infortúnio.  

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