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Em Feira de Santana o Governo Municipal usa a força para impor seus interesses

Por Genaldo de Melo

Em Feira de Santana quando um grupo de cidadãos faz uma narrativa contrária ao governo municipal, administrado pelo prefeito José Ronaldo (DEM), que almeja segundo vozes da imprensa tradicional, e que ele já começa aos poucos a assumir de fato seu projeto pessoal, ser Senador da República, muitos outros cidadãos infectados politicamente apelam para o discurso de que os gritos contrários ao governo municipal não passam de discurso político.

Mas dialogando dentro das prerrogativas da realidade, os discursos contrários ao grupo político que administra a Princesa do Sertão apresentam todas as premissas de uma verdade que não quer se calar. Ou seja, o Governo Municipal não apresenta e nem dialoga com a sociedade seus projetos, principalmente na área de infra-estrutura. Então os discursos dos cidadãos que não concordam com os métodos utilizados pelo grupo político que administra o município são os mesmos que são utilizados pela oposição política, porque existe pleno fundamento.

Em Feira de Santana vem se traduzindo tacitamente o diálogo mantido na narrativa de Platão na Grécia antiga na casa do rico aristocrata Céfalo, entre Sócrates, Glauco, Adimanto (irmão de Platão), e o sofista mal-humorado e irritadíssimo Trasímaco, quando falam do problema da justiça. Quando Sócrates pergunta ao grupo sobre o conceito de justiça, Trasímaco responde aos berros que a força é um direito e que a justiça é o interesse do mais forte.

Ou seja, o Governo Municipal por ser mais forte, inclusive na área da comunicação do que faz com os cidadãos feirenses, quando toma uma decisão não quer saber se prejudica ou não qualquer um cidadão em particular, fazendo assim na base da utilização da força e do poder que tem. E como a maioria que forma a opinião e repassa as informações e notícias no município depende para sobreviver dos próprios instrumentos municipais fica sempre calada, a população acha que tudo está em céu de brigadeiro.

Lamentavelmente o Governo Municipal fez mais uma das suas que não merece o respeito de quem enxerga melhor as coisas e não através dos óculos com as cores azuis impostas. Em pleno feriado de Nossa Senhora de Santana, em que a população não está trabalhando, autorizou a destruição dos espaços de trabalho dos artesãos do Centro de Abastecimento, e ainda diz em nota de que não existem artesãos trabalhando naquele espaço. Dizer em Nota Pública que quem trabalha ali não é artesão, não somente é um pecado, é a utilização do discurso da força denunciado por Platão já na Grécia antiga.

Ninguém pode ser contra uma obra como a que está sendo construída do Shopping Popular, está apenas sendo contra os métodos utilizados. Primeiro porque não dialogou com a sociedade e nem com os interessados mais diretos, impôs. Segundo porque em pleno feriado impor uma agressão dessa natureza contra quem trabalha e ainda é acusado de não ser artesão, é intolerável.

Isso tudo é o verdadeiro retrato de uma sociedade que como uma grande maioria de seus componentes está doente politicamente, nem mesmo pode reagir contra os fortes e suas “justiças”! E outra indagação não pode se calar: quem serão os novos administradores dos espaços de comercialização do novo Shopping Popular que está a ser construído na base da força e será inaugurado brevemente?

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