Pular para o conteúdo principal

Nicolas Maduro venceu na Venezuela, e agora Rede Globo?


Por Genaldo de Melo
ven1
A imprensa tradicional brasileira, especialmente a Rede Globo e seu “Jornaleco” Nacional, passou as últimas semanas tentando de todos os modos convencer a todos de que na Venezuela não existia democracia, e que Nicolas Maduro era um “zero à esquerda” e nada mais.


Pronto! Acontece o plebiscito para uma nova Constituinte, e o povo crava exatamente o contrário do que dizia a Rede Globo, vota a favor da proposta de maduro. E agora, vão dizer que Maduro colocou o Exército com fuzis no colo para forçar o povo votar a favor de sua proposta?


Reproduzo abaixo texto do jornalista Fernando Brito, publicado no “Tijolaço” para que possamos avaliar melhor o que aconteceu nesse último domingo na Venezuela, em que venceu exatamente a proposta de Nicolas Maduro, que a imprensa tradicional brasileira desenhou o mesmo como um dos maiores bandidos das democracias latino-americanas.

Venezuela: vitória do voto mas derrota da diplomacia e do diálogo (Fernando Brito - Tijolaço)

Ao contrário do que fez o arremedo de diplomacia que tem o Brasil, que correu a se alinhar aos Estados Unidos e deslegitimar a eleição da Constituinte da Venezuela, fiz o que qualquer pessoa de mínimo bom-senso faria: esperar as urnas se fecharem.
A votação convocada pelo Governo Maduro, mesmo com todo o clima de intranquilidade provocado por situações impensáveis -será que não vai haver uma palavra sobre “manifestantes” que colocam uma bomba incendiária na passagem de um grupo de motociclistas da polícia? – atraiu mais de oito milhões de eleitores.
Quinze dias atrás, o plebiscito informal convocado pela oposição reuniu, segundo os seus próprios  promotores, 7,1 milhões de eleitores.
Nas últimas eleições legislativas no país, votaram 14,3 milhões de venezuelanos.
Não basta, porém, dizer que o chavismo “venceu” – e sim, houve muito de vitória no comparecimento maciço a uma eleição ameaçada por tiros, bombas e um imenso boicote de imprensa, interno e externo, porque 56% dos votantes de uma eleição “normal” compareceram.
Passamos o dia, ontem, ouvido e lendo bobagens sobre seções eleitorais vazias e declarações de oposicionistas de que só 10% dos eleitores compareceriam. Mentiras, mas quase unânimes na mídia, que sustentavam declarações de gente, por não-venezuelana, que deveria guardar silêncio diante de um processo eleitoral.
Mas também não se pode que a oposição, que alcançou 49% do colégio eleitoral de fato em seu plebiscito, “perdeu”, ainda que, provavelmente, pela falta de registros confiáveis, este número possa ter sido sensivelmente menor.
Quem está perdendo é a possibilidade de normalização da vida na Venezuela.
Desde 2002, quando sofreu um golpe de  estado, a Venezuela foi mergulhando num processo de radicalização absoluta que, com a crise do petróleo, a partir de 2014, se aprofundou. Não existem, hoje, no mundo ou na América Latina,  forças diplomáticas capazes de ajuda-la a encontrar algum equilíbrio e capacidade de funcionar. E a morte de Hugo Chávez tirou do país a única figura que poderia, por seu tamanho, encontrar o caminho de uma mínima composição.
Os países latinoamericanos, que jogaram, na primeira década do século, um papel vital nos conflitos venezuelano, desta vez, parecem estar dispostos ao contrário, a apostar no caos. Brasil e Argentina, sobretudo, pouco ficam a dever à histeria trumpista no trato com o país e apostam em medidas de retaliação no Mercosul contra um país que perdeu mais da metade de sua renda com a crise dos preços do petróleo, mas  que é parte indispensável de qualquer projeto de integração continental.
Infelizmente, a diplomacia brasileira desceu ao nível de molecagens como a que fez Aécio Neves ao simular um “cerco” chavista à sua viagem de provocação àquele país.
As relações internacionais de um dos maiores países do mundo, como o Brasil, não podem ser comandadas por um Kim Kataguiri  da terceira idade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A manipulação grosseira da Globo do Dia do Trabalho

Por Genaldo de Melo Dificilmente assisto a Rede Globo, porque além de não ter mais paciência, não concordo com a manipulação que ela faz com suas edições políticas contra a esquerda brasileira, e hoje definitivamente contra a democracia brasileira.
Mas confesso que ontem resolvi acompanhar o Jornal Nacional para ver que tipo de grosseria jornalística ela poderia fazer com esse Dia do Trabalho, em que parcela do povo ocupou às ruas em defesa de Lula e da democracia.
Simplesmente vergonhoso seu jornalismo da obediência, pois utilizou a maior parte do noticiário para sensacionalizar e sensibilizar a população sobre o incêndio em São Paulo, e manipulou sua edição com imagens que não mostraram a verdade das ruas no dia do trabalhador.
Não que não seja importante noticiar o incêndio do prédio paulista, mas porque descaradamente usou abusivamente do fato para esconder o óbvio de que os brasileiros ocuparam em massa as ruas do Brasil em defesa de Lula e em defesa da democracia.
Nos fatos ficou cla…

ACM Neto pode não ser mais candidato nas próximas eleições na Bahia

Por Genaldo de Melo Reza a cantilena popular que para bom entendedor meia palavra basta, de modo que não precisa ser muito inteligente ou até mesmo conhecer os bastidores do mundo político, para saber do dilema existencial por qual passa o prefeito de Salvador, ACM Neto, em torno da perigosa decisão que precisa tomar logo, porque o tempo como ele pensa e verbaliza não é tão grande assim, para se lançar como o nome das oposições ao governo do Estado da Bahia nessas eleições vindouras.
Basta somente dialogar com os fatos e analisar mais friamente as próprias palavras do prefeito em entrevista que concedeu na abertura do carnaval da capital baiana para se chegar a dolorosa e cruel conclusão de que ACM Neto não tem tanta certeza assim de uma provável vitória.
ACM Neto verbalizou nas entrelinhas que a decisão não é tão fácil assim como pensam seus aliados, até mesmo porque em se lançando candidato a governador e perdendo as eleições, ele ficará quatro anos sem mandato e sem a possibilidade e …

Sem Lula cidadãos conscientes continuam preferindo Manuela

Por Genaldo de Melo Caso não haja a possibilidade de Lula ser candidato à Presidente da República, muitos cidadãos brasileiros conscientes da importância de um representante que tenha mais a cara do povo brasileiro, e não o espectro dos interesses internacionais, ficarão órfãos para ter que escolher entre os postulantes de centro e de esquerda que estão se colocando a disposição das urnas.
Todos os nomes colocados até o momento que poderiam substituir Lula nas urnas não conseguiram ainda atingir os dois dígitos nas pesquisas eleitorais. Entre os mais bem colocados estão Ciro Gomes (PDT) e Joaquim Barbosa (este colocado aqui por ser provável postulante do “PSB”, mas muito complicado ainda do ponto de vista ideológico). Ainda em processo de construção da imagem estão Manuela D‘Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL).
Em relação a Joaquim Barbosa, rumores dão conta que os verdadeiros socialistas estão se remoendo ainda para ter que aceitar aquele sujeito estranho, com mais interesse nos EUA…