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O Poder Executivo anuncia aos poucos o fim dos outros dois poderes da República

Por Genaldo de Melo
Encontrar-se na calada da noite com o Presidente da República desqualifica qualquer agente do judiciário brasileiro, especialmente a futura Procuradora-geral da República, a senhora Raquel Dodge, que aliás foi escolhida estranhamente pelo mesmo não sendo pela primeira vez na história a mais votada na lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

Numa situação como essa, ela não deveria nem mesmo assumir esse cargo, porque já começa a dá uma demonstração de submissão como já faz o representante máximo do Poder Legislativo, o senhor Rodrigo Maia. Do mesmo modo, Michel Temer se tivesse vergonha em seu rosto com a boca de envelope amassado já deveria ter ido embora de Brasília, porque ele tem somente de poder 3% emanado pelo povo.

Reproduzo abaixo o excelente texto do jornalista Alex Solnik, em seu Blog no "Brasil247" para que tenhamos a verdadeira dimensão do regime de exceção em que vivemos, em que o Presidente sem voto coopta os outros dois poderes da República, comprovando que estamos deixando aos poucos de ser uma democracia no sentido mais literal da palavra para ser uma ditadura.

Dodge deveria ser afastada antes de assumir (Alex Solnik - Brasil247)


Não tenho mais dúvida que a chefe nomeada da PGR, Raquel Dodge vai ser uma marionete de Temer, tal qual Rodrigo Maia o é na presidência da Câmara dos Deputados.
   Eu não me conformo quando vejo aquelas fotos domingueiras em que Maia aparece, de roupa esporte, aboletado numa poltrona muito confortável ao lado de Temer e Moreira Franco, como se ele não soubesse que é pago por nós, o povo, para fiscalizar o Presidente e não para ser cooptado por ele.
   Quando Temer coopta os dois outros Poderes, que deveriam ser independentes do Executivo ele está dando um pontapé na democracia.
   Ditadura é o regime em que o Executivo controla o Legislativo e o Judiciário.
   É o que já está acontecendo.
   O que uma futura chefe da PGR tem a conversar com o presidente da República, fora de agenda, em sua residência oficial, naqueles horários heterodoxos e incompatíveis com a moralidade pública?
   Alguém acredita que ela vai exercer seu cargo com alguma isenção, imparcialidade e autonomia?
   Senhores, não sei se o script já estava pronto quando eles resolveram derrubar uma presidente eleita ou se foi sendo escrito à medida em que ocupavam o poder, mas o que estamos assistindo, sem muita reação é à ascensão de um sistema de governo que passa muito longe do democrata.
   Numa democracia de verdade nenhum presidente da República continua no poder um minuto depois de ser revelado o episódio da mala, como o foi em todos os meios de comunicação, até para não passar mais vergonha.
   Aqui, ao contrário, Temer fingiu que nada tinhas acontecido e partiu para desqualificar primeiro quem o entregou e agora quem o denunciou por corrupção em vez de se retirar, envergonhado.
   É um presidente que não preza nem a democracia nem a sua honra.
   Numa democracia de verdade nenhum presidente governa com 3% de aprovação da população porque a constituição diz que todo poder emana do povo e ninguém pode governar um país com 3% de poder.
    Só num momento de trevas como esse uma chefe da PGR não cai depois de fazer o que fez. 

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